Black Lodge

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Sexta-feira, Janeiro 27, 2006:

Diálogo com o Rafael a respeito da vaidade

Eu:
- Rafa, acho que mulher só é vaidosa mesmo para mostrar para a outra mulher. Homem costuma nem ligar para essas coisas, por exemplo, vc repara na cutícula de uma mulher?
Rafa:
- O que é cutícula?

INGRID MANTOVANI // 10:25 PM

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Quarta-feira, Janeiro 18, 2006:



Ao som de sigur ros


será o caminho certo?

INGRID MANTOVANI // 9:00 PM

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Sobre a viagem

Lendo o blog do Regis Trovão sobre sua viagem para o Ceará, senti vontade de escrever sobre minhas aventuras no litoral sulista do Brasil. Talvez por causa da semelhança em relação à busca da boa música.
Cheguei lá certa de que ouviria muito rock, não sei porque tenho a impressão de que no sul se ouve mais rock que em outros lugares. São certas idéias pré-concebidas que não sei quando ou porque se formaram, mas insistem em morar em um lugar obscuro e pouco explorado na minha cabeça.
Porém, na primeira manhã de uma longa temporada na praia da armação, uma praia serena e linda de pescadores, sou acordada por uma música que não ouvia há muito tempo: dance.
Provavelmente a trilha sonora do meu primeiro beijo. Músicas que ouvia quando comecei a sair, quando comecei a ter amigas e quando não sabia que tinha escolha, achava que tudo era meu.
Achei q o vizinho fosse um maluco de mau gosto, mas comecei a perceber que a cidade (quase) inteira ouvia isso, carros alucinados com esse tipo de som no último volume, as baladas tocavam 7 vezes no mínimo as mesmas músicas e, o cúmulo, as bandinhas tocavam dance. Não vou ser cruel, havia uma outra opção, o funk carioca. Socorro!
E meu pedido foi atendido, no terceiro dia, fomos visitar o bar do Nelson. Um bar no fundo da praia Grande (todo litoral existe uma praia chamada ¿grande¿?). Discreto, com cadeiras de madeira do lado de fora e de plástico do lado de dentro.
Gostei de primeira do bar, fomos atendidos por garçonetes lindas e simpáticas além do comum. O Nelson mora na parte de trás do bar e em uma das conversas com o Rodrigo ( meu hospedeiro,. Rs) falou:
¿ Expulsei dois caras daqui que estavam batendo na mesa e zuando o ambiente. Não estou interessando no dinheiro que eles estavam gastando. Eles tinha que saber que estavam no lugar errado¿.
A banda estava tocando boas músicas. Eram: percursionista, guitarrista e voz. Mas conforme o tempo foi passando e o álcool foi subindo, eles abriram o palco para o público e logo começou a aparecer, saxofonista, violão, e, até, flauta. Bons músicos, que tocaram com tesão a tarde inteira. A overdose de música boa que eu precisava, embalando minha ebriedade. Me surpreendi com a voz do vocalista de uma banda que chama Vlad ( ele era o flautista também).
Identificação completa com o bar. Fomos lá quase todos os dias durante a noite para descansarmos de longas caminhadas desbravando praias esculpidas por artistas que nossa vã filosofia não teria a capacidade de reconhecer.
15 dias sem pensar em nada. Achei q poderia ser esse o caminho de estradas de tijolos amarelos que eu procuro, mas logo senti saudade. Das pessoas, esse mundo de gente que vai e volta e não sabe pra onde está indo. De pessoas malucas e perdidas, da sujeira, das ruas, dos cinemas solitários, correria e a charmosa tristeza paulistana. Enfim, senti saudade de mim.

INGRID MANTOVANI // 8:49 PM

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Quinta-feira, Janeiro 12, 2006:

Estava xeretando minhas velhas agendas e achei um texto que escrevi quando desisti de tentar ficar com o Ivan, meu primeiro grande amor. Naquela época era inconcebível a possibilidade de não casar com ele. Paixão que ardia, mas a maturidade foi chegando e comecei a acreditar na possibilidade de ter o perdido para sempre, então descrevi o
assassinato do meu primeiro amor e mais, da vida que idealizei com ele, mas ao mesmo tempo já reconstruí minha nova vida:

¿ Meu coração está acelerado de ansiedade e medo. Não sei há quanto tempo estou aqui, fui perdendo a noção do tempo aos poucos, mas cheguei a conclusão de que o tempo para cada um é único, tão único quanto o próprio indivíduo. Não posso negar que é um lugar confortável, tranqüilo, mas quero experimentar a vida nova. Já escuto rumores, sinto vibrações do mundo lá fora.
Levo vestígios, ainda, da outra vida que levei. Minha pele, muito sensível, com restos de tristeza, mágoas, alegrias, lamentações e medos, mas não posso dizer que foi inútil. Meu assassinato foi um suicídio necessário para me dar nova vida, tentarei levar o que for preciso.
Quantas vezes terei de me matar para recomeçar?
Será que saberei respirar sozinha?
Há quanto tempo não sinto o ar?
Estou com medo, preciso comer, mas e se o ser consumido me consumir novamente?
Quantas vezes terei de me matar?
Mas isso não importa, agora está chegando à luz e logo estarei viva novamente.¿


E pensar q depois disso já cometi muitos outros assassinatos e a vida ressurgiu muito mais brilhante a cada um deles.

INGRID MANTOVANI // 6:14 PM

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A sabedoria está no excesso

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